top of page

Kintsugi: a arte de transformar rachaduras em força e o que isso ensina sobre cura emocional

  • Writer: Lilian Andres
    Lilian Andres
  • 3d
  • 2 min read
Quando falamos sobre cura, a maior parte das pessoas imagina “voltar ao que era antes”, apagar feridas ou tentar evitar que os outros percebam suas partes quebradas. Mas existe uma filosofia japonesa secular, o Kintsugi, que desmonta essa ideia e nos convida a olhar a dor com mais dignidade, presença e coragem.
Psicóloga em São Paulo zona sul

O Kintsugi é a arte de reparar cerâmicas quebradas usando laca e pó de ouro.

As rachaduras não são escondidas, são destacadas. A peça não volta ao estado original: ela renasce mais valiosa, única e carregando a história da própria fratura.

E é justamente esse ponto que toca tão profundamente a nossa vida emocional.

Por que o Kintsugi fala tanto sobre nós?

Todos carregamos fissuras internas: perdas, rejeições, relações que deixaram marcas, fases de exaustão, escolhas difíceis, culpas antigas. Na tentativa de parecer “fortes” ou “funcionais”, escondemos nossas histórias, empurramos a dor para baixo do tapete e seguimos vivendo em cima de rachaduras não cuidadas.

Mas, assim como a cerâmica, aquilo que não é cuidado abre ainda mais com o tempo.

A filosofia do Kintsugi nos lembra de algo essencial: não é a quebra que nos define, mas o que fazemos com ela.

Como o Kintsugi se conecta com a psicoterapia
Na terapia, não colamos suas partes de volta para fingir que nada aconteceu. O processo é outro:
  • reconhecer o que fraturou,
  • entender de onde veio,
  • elaborar a dor,
  • e reconstruir sua história com consciência e significado.

É isso que transforma rachaduras em força.

A psicoterapia funciona como esse “ouro” que preenche as linhas da sua história: não apaga o que você viveu, mas dá contorno, sentido e novos caminhos. A dor deixa de ser um ponto de vergonha e passa a ser um território de crescimento emocional.

Kintsugi e cura emocional: por que essa metáfora é tão poderosa?

Porque ela nos ensina que:
1. Quebrar não é fracassar, é humano
Ninguém sai da vida sem trincas. A dor faz parte do processo de existir.

2. As cicatrizes carregam histórias importantes
O que você viveu não precisa ser apagado para que você siga em frente. Precisa ser compreendido.

3. Reparar exige presença, responsabilidade e cuidado
Não é sobre “superar rápido”. É sobre reconstruir com profundidade.

4. O que se rasgou pode se tornar o seu ponto de maior força
Muitas das nossas maiores qualidades nasceram das experiências mais difíceis.

Kintsugi aplicado à vida: o que você pode começar a fazer hoje
  • Pare de esconder o que doeu. Nomear é o primeiro passo da cura.
  • Observe suas “rachaduras emocionais” sem julgamento.
  • Pergunte-se: o que essa dor está tentando me dizer sobre mim?
  • Permita-se buscar ajuda profissional. Sozinho, o peso aumenta.
  • Entenda que cura é processo, não um evento.
  • Aceite que crescimento e vulnerabilidade caminham juntos.

Por fim, o Kintsugi nos lembra de algo essencial:

Você não precisa ser “como era antes”.Você pode ser melhor, justamente porque se quebrou e decidiu se reconstruir com ouro.

E se você sente que já passou tempo demais tentando colar as próprias peças sozinho(a), a terapia pode ser esse espaço seguro para transformar rachaduras em sabedoria emocional, presença e força.
 
 
 

Comments


  • Youtube
  • Instagram

Lilian Andres | Psicologa Clínica | CRP 123456

Av. Brig. Luis Antônio, 2.909 - 12º andar - Conjunto 125 | São Paulo, SP

lilianandres@terra.com.br

(11) 9.9973-6474

bottom of page